Notícias a respeito de possíveis desmandos de ministros do STF, em especial do Alexandre de Morais, inundam as redes sociais e até a imprensa que teoricamente deveria se preocupar em informar corretamente a sociedade.
É verdade que cada um enxerga a
realidade conforme suas lentes pessoais, mas já é tempo de percebermos o que é “narrativa”
para sustentar argumentos a serem usados na campanha eleitoral que se aproxima
e o que é verdade.
Na vida, e mais em particular na
política, o que efetivamente importa é cumprir o plano estratégico definido.
Lembremos, por exemplo, o que
aconteceu recentemente com a Venezuela.
Será que o Trump estava realmente
preocupado com o tráfico de drogas ou com a democracia na Venezuela? Hoje a
resposta para esta questão está muito clara: os USA simplesmente queriam
garantir fornecimento de petróleo para eles, pois num futuro breve iriam atacar
o Irã e provocar o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa uma
quantidade monstruosa do petróleo para abastecer os mercados mundiais.
Aqui no Brasil a coisa não é
diferente: a extrema direita se sentia fraca e sem condições de enfrentar em
boas condições a próxima disputa eleitoral: fatos estavam colocando esta
extrema direita, que ainda não desistiu de seus planos autocráticos,
encurralada contra as redes.
As más notícias para eles vão
desde o desfecho do julgamento da trama golpista pelo STF até a repercussão na
sociedade do comportamento do Congresso, batizado de “inimigo do povo”. Tudo
isso somado a notícias de corrupção no INSS, que tentam a todo custo atribuir
ao governo atual, escândalos associados às emendas parlamentares pipocam todos
os dias, sem falar no dinheiro encontrado no apartamento do líder do PL na
Câmara dos Deputados, e no caso do Banco Master que pode atingir muita gente
graúda, predominantemente da direita.
O que fazer?
O próprio Bolsonaro falou em algumas manifestações: “ me deem 50% da Câmara e 50% do Senado, que mudo o destino
deste país”.
O que significa mudar o destino
deste país?
Significa que não desistiram do
plano de implantar aqui um governo autocrático, plano este que falhou na última
tentativa de golpe, mas que vão continuar perseguindo este objetivo usando
outras táticas e outros caminhos, significa que almejam para o país um governo
autoritário e subordinado às lideranças mundiais de extrema direita, mais
especificamente aos Estados Unidos sob a presidência de Trump.
Como em vários países que tiverem
suas democracias destruídas por autoritários no poder, conforme muito bem
relatado no livro “Como morrem as democracias”, o plano atual é dominar o país
via Congresso, e não mais através do presidente eleito no poder.
Para instalar aqui uma
autocracia, é importante neutralizar antes de tudo a ação da justiça, e em
especial a do STF, que tem sido uma pedra no caminho das pretensões autoritárias
dessa nossa extrema direita.
Onde a democracia foi destruída pelo
governo, o processo sempre começou com o domínio da justiça pelos interessados pela
nova ordem social, e aqui não deverá ser diferente.
O carro-chefe do plano da extrema
direita brasileira para dominar o Brasil é ter condições de desmontar o STF, e
isto significa que eles precisam ter a maioria no Senado, para assim poderem
desencadear os processos de impeachment dos ministros que não forem favoráveis
aos seus projetos, como há muito tempo estão querendo fazer, basta verificar o
volume dos pedidos de impeachment de ministros do STF protocolados no Senado.
A lógica é simples.
Como conseguiremos “vender” na
próxima campanha eleitoral a tese de que é necessário colocar “rédeas” no STF?
Para isto é necessário convencer os eleitores de que:
1. O STF se “mete” em tudo e atrapalha a separação dos poderes.
2. Ministros do STF são corruptos e não cumprem a Constituição.
3. Ministros do STF perseguem as pessoas contrárias às suas ideologias.
4. Ministros do STF atuam politicamente e não cumprem as leis.
Certamente mais argumentos poderão
ser encontrados contra o STF, mas os já enumerados são suficientes para nós no
momento.
“Emplacando" estas ideias,
coisas muito interessantes são consequência direta da aceitação deste discurso,
e a mais importante delas é: “Bolsonaro foi condenado por juízes corruptos,
desqualificados que não cumprem a Constituição. Foi pura perseguição política.”
Se os eleitores aceitarem todas
estas acusações contra o STF e seus ministros, a extrema direita poderá,
durante a campanha eleitoral, prometer medidas para corrigir estes desmandos do
STF, e pedir votos aos eleitores para que tudo isto possa ser feito. O que foi
mesmo que o Bolsonaro disse a respeito de ter a maioria no Senado e na Câmara?
Uma vez conhecidos os motivos que
levam a extrema direita a divulgar todos estes fatos que denigrem o STF e seus
ministros, podemos questionar cada um destes fatos sendo amplamente divulgados.
Contra a falácia de que o STF se “mete”
em tudo, é só buscar porque o STF é assim acusado, e não é difícil perceber que
quando o STF barra decisões inconstitucionais de qualquer das casas do
Congresso esse burburinho aumenta.
Acusam o STF de se intrometer em
outros poderes, mas não são capazes de basear as acusações na lei e na
Constituição. Se estivessem certos de terem base legal para suas reclamações, o
caminho simples seria recorrer ao próprio STF, com a argumentação apoiada na legislação,
solicitando a revisão da decisão. Entretanto, o objetivo deles é simplesmente
difundir uma avaliação falsa a respeito do STF para que os menos avisados caiam
nesta armadilha e passem a achar que o STF age de forma errada prejudicando os
gloriosos combatentes da direita que querem um país melhor.
Ao acusarem ministros de
corrupção, mais uma vez não tem provas. Estas acusações são baseadas em “alguém
me disse que...”, pois se efetivamente tivessem provas deveriam iniciar um
processo legal para processar o ministro acusado de corrupção, para não serem
acusados de prevaricação.
Por que não fazem isso?
Simplesmente porque o objetivo é plantar
na cabeça do eleitorado uma visão falsa da realidade, e sabem que a primeira
impressão é a que fica, mesmo que haja veementes desmentidos posteriores.
Os ministros do STF são acusados
de perseguirem adversários políticos e de agirem politicamente ao arrepio da
lei ao tomarem decisões que contrariam os interesses da extrema direita, mesmo
que estas decisões estejam totalmente amparadas nas leis. Mais uma vez, não
recorrem das decisões pois sabem muito bem não ter argumentos para isso, e o mais
importante, estão querendo influenciar o eleitor menos avisado, fazendo este
achar que efetivamente o STF precisa de alguma forma ser contido.
A extrema direita poderia muito
bem ser chamada de anarquista pois defende um mundo sem leis onde a vontade dela
é a lei. Sobrevive politicamente do clima de confronto com o STF, e de criar a
instabilidade política.
Em suma, acusam os ministros do
STF de terem cometido crimes, mas não conseguem especificar que crimes foram
cometidos e que provas existem destes crimes.
Vivem da mentira pois a verdade
não lhes é favorável.
Precisamos ficar muito atentos
para sempre desmascarar esta turma que tem formas muito astutas e ardilosas para
convencer o eleitor a concordar com seus planos maquiavélicos.
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