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sexta-feira, 20 de março de 2026

O STF e seus ministros são tudo o que dizem?

 Notícias a respeito de possíveis desmandos de ministros do STF, em especial do Alexandre de Morais, inundam as redes sociais e até a imprensa que teoricamente deveria se preocupar em informar corretamente a sociedade.

É verdade que cada um enxerga a realidade conforme suas lentes pessoais, mas já é tempo de percebermos o que é “narrativa” para sustentar argumentos a serem usados na campanha eleitoral que se aproxima e o que é verdade.

Na vida, e mais em particular na política, o que efetivamente importa é cumprir o plano estratégico definido.

Lembremos, por exemplo, o que aconteceu recentemente com a Venezuela.

Será que o Trump estava realmente preocupado com o tráfico de drogas ou com a democracia na Venezuela? Hoje a resposta para esta questão está muito clara: os USA simplesmente queriam garantir fornecimento de petróleo para eles, pois num futuro breve iriam atacar o Irã e provocar o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa uma quantidade monstruosa do petróleo para abastecer os mercados mundiais.

Aqui no Brasil a coisa não é diferente: a extrema direita se sentia fraca e sem condições de enfrentar em boas condições a próxima disputa eleitoral: fatos estavam colocando esta extrema direita, que ainda não desistiu de seus planos autocráticos, encurralada contra as redes.  

As más notícias para eles vão desde o desfecho do julgamento da trama golpista pelo STF até a repercussão na sociedade do comportamento do Congresso, batizado de “inimigo do povo”. Tudo isso somado a notícias de corrupção no INSS, que tentam a todo custo atribuir ao governo atual, escândalos associados às emendas parlamentares pipocam todos os dias, sem falar no dinheiro encontrado no apartamento do líder do PL na Câmara dos Deputados, e no caso do Banco Master que pode atingir muita gente graúda, predominantemente da direita.

O que fazer?

O próprio Bolsonaro falou em algumas manifestações: “ me deem 50% da Câmara e 50% do Senado, que mudo o destino deste país”.

O que significa mudar o destino deste país?

Significa que não desistiram do plano de implantar aqui um governo autocrático, plano este que falhou na última tentativa de golpe, mas que vão continuar perseguindo este objetivo usando outras táticas e outros caminhos, significa que almejam para o país um governo autoritário e subordinado às lideranças mundiais de extrema direita, mais especificamente aos Estados Unidos sob a presidência de Trump.

Como em vários países que tiverem suas democracias destruídas por autoritários no poder, conforme muito bem relatado no livro “Como morrem as democracias”, o plano atual é dominar o país via Congresso, e não mais através do presidente eleito no poder.

Para instalar aqui uma autocracia, é importante neutralizar antes de tudo a ação da justiça, e em especial a do STF, que tem sido uma pedra no caminho das pretensões autoritárias dessa nossa extrema direita.

Onde a democracia foi destruída pelo governo, o processo sempre começou com o domínio da justiça pelos interessados pela nova ordem social, e aqui não deverá ser diferente.

O carro-chefe do plano da extrema direita brasileira para dominar o Brasil é ter condições de desmontar o STF, e isto significa que eles precisam ter a maioria no Senado, para assim poderem desencadear os processos de impeachment dos ministros que não forem favoráveis aos seus projetos, como há muito tempo estão querendo fazer, basta verificar o volume dos pedidos de impeachment de ministros do STF protocolados no Senado.

A lógica é simples.

Como conseguiremos “vender” na próxima campanha eleitoral a tese de que é necessário colocar “rédeas” no STF?

Para isto é necessário convencer os eleitores de que:

       1. O STF se “mete” em tudo e atrapalha a separação dos poderes.
 2. Ministros do STF são corruptos e não cumprem a Constituição.
 3. Ministros do STF perseguem as pessoas contrárias às suas ideologias.
 4. Ministros do STF atuam politicamente e não cumprem as leis.

Certamente mais argumentos poderão ser encontrados contra o STF, mas os já enumerados são suficientes para nós no momento.

“Emplacando" estas ideias, coisas muito interessantes são consequência direta da aceitação deste discurso, e a mais importante delas é: “Bolsonaro foi condenado por juízes corruptos, desqualificados que não cumprem a Constituição. Foi pura perseguição política.”

Se os eleitores aceitarem todas estas acusações contra o STF e seus ministros, a extrema direita poderá, durante a campanha eleitoral, prometer medidas para corrigir estes desmandos do STF, e pedir votos aos eleitores para que tudo isto possa ser feito. O que foi mesmo que o Bolsonaro disse a respeito de ter a maioria no Senado e na Câmara?

Uma vez conhecidos os motivos que levam a extrema direita a divulgar todos estes fatos que denigrem o STF e seus ministros, podemos questionar cada um destes fatos sendo amplamente divulgados.

Contra a falácia de que o STF se “mete” em tudo, é só buscar porque o STF é assim acusado, e não é difícil perceber que quando o STF barra decisões inconstitucionais de qualquer das casas do Congresso esse burburinho aumenta.

Acusam o STF de se intrometer em outros poderes, mas não são capazes de basear as acusações na lei e na Constituição. Se estivessem certos de terem base legal para suas reclamações, o caminho simples seria recorrer ao próprio STF, com a argumentação apoiada na legislação, solicitando a revisão da decisão. Entretanto, o objetivo deles é simplesmente difundir uma avaliação falsa a respeito do STF para que os menos avisados caiam nesta armadilha e passem a achar que o STF age de forma errada prejudicando os gloriosos combatentes da direita que querem um país melhor.

Ao acusarem ministros de corrupção, mais uma vez não tem provas. Estas acusações são baseadas em “alguém me disse que...”, pois se efetivamente tivessem provas deveriam iniciar um processo legal para processar o ministro acusado de corrupção, para não serem acusados de prevaricação.

Por que não fazem isso?

Simplesmente porque o objetivo é plantar na cabeça do eleitorado uma visão falsa da realidade, e sabem que a primeira impressão é a que fica, mesmo que haja veementes desmentidos posteriores.

Os ministros do STF são acusados de perseguirem adversários políticos e de agirem politicamente ao arrepio da lei ao tomarem decisões que contrariam os interesses da extrema direita, mesmo que estas decisões estejam totalmente amparadas nas leis. Mais uma vez, não recorrem das decisões pois sabem muito bem não ter argumentos para isso, e o mais importante, estão querendo influenciar o eleitor menos avisado, fazendo este achar que efetivamente o STF precisa de alguma forma ser contido.

A extrema direita poderia muito bem ser chamada de anarquista pois defende um mundo sem leis onde a vontade dela é a lei. Sobrevive politicamente do clima de confronto com o STF, e de criar a instabilidade política.

Em suma, acusam os ministros do STF de terem cometido crimes, mas não conseguem especificar que crimes foram cometidos e que provas existem destes crimes.

Vivem da mentira pois a verdade não lhes é favorável.

Precisamos ficar muito atentos para sempre desmascarar esta turma que tem formas muito astutas e ardilosas para convencer o eleitor a concordar com seus planos maquiavélicos.